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Escolhendo meu nome da Arte Em várias tradições, quando alguém se torna um sacerdote, é comum que adote um novo nome, o qual representará o papel que desempenhará através de seu sacerdócio e sua nova posição espiritual. Um nome possui uma vibração poderosa e é capaz de atrair determinadas características para quem o usa. Seja por sua numerologia, pelo seu significado etimológico ou simbólico. Na Arte costumamos adotar um nome, o chamado Nome da Arte, que nos identifica enquanto sacerdotes, com o qual nos apresentamos aos Deuses em nossas cerimônias de iniciação. Por esse nome seremos conhecidos no meio pagão. Algumas vezes adotamos o nome de uma Deidade com que nos identificamos particularmente, outras vezes o nome de um animal de poder ou planta. O importante é que o nome escolhido nos complete e expresse algo que desejamos para nosso caminho mágico. Inicialmente eu adotei o nome da Deusa de que me sentia mais próxima e que me orientava. Depois, quando o trabalho de cura que eu deveria fazer se tornou claro, melhor dizendo, me foi revelado, outro nome veio junto. O de um instrumento dos Deuses, a lira, que tanto podia acalmar as feras e dissipar as sombras quanto inspirar idéias novas e criativas. Instrumento de Hermes, de Apolo e das Musas utilizado para cantar o passado, o presente e o futuro bem como para comunicar a vontade divina, e também de Orfeu, que fora presenteado pelas Musas com o dom da música e por Apolo com a lira. A lira de Apolo permite a Orfeu entrar e sair em segurança do mundo dos espíritos. Ele poderia guiar a alma de Eurídice de volta desde que ele pudesse confiar em sua lira e na palavra de Perséfone e Hades. Ele deveria confiar e seguir os dons que lhe foram dados pelos deuses, pois quando não confia e olha para trás Eurídice se evanesce nas sombras. Assim também é com nossa alma. Podemos encontrá-la nas sombras dentro de nós, mas então devemos confiar nela e nos dons que ela nos traz ou estaremos presos ao passado para sempre. Não é uma jornada fácil e pode ser duro encontrar sozinho essa força e confiança. Como Orfeu, somos tentados a olhar para trás. Podemos precisar de um guia, de alguém que faça o papel da lira dada por Apolo a Orfeu. Foi exatamente isso que eu me tornei, Uma Lira, um instrumento da Deusa e guia para a alma e esse é o significado do nome que adotei: aquela que sabe como entrar e sair em segurança do mundo das sombras, conseguir a assistência da Deusa do mundo Avernal, obter permissão para conduzir as pessoas em segurança até lá e trazer de volta os pedaços de suas almas que se encontram perdidos pelo caminho. Portanto é com esse nome que me apresento. Sou Karina, a lira. O primeiro nome, Karina, recebi da minha mãe quando nasci, influência de nossa família italiana, de ancestrais florentinos com os quais me pareço muito. O sobrenome Lira eu escolhi junto com meu caminho, embora pudesse também tê-lo recebido de meu pai, que o herdou de minha avó. Mas de meus pais herdei apenas os sobrenomes do pai de cada um, que preferi não usar. Preferi usar como sobrenome aquele que representa o dom e a tarefa que recebi da Deusa e manter o meu primeiro nome homenageando a herança matrifocal de minhas avós. Harmoniosamente resultou no nome perfeito para materializar todos os projetos que até então eu vinha deixando permanecer na sombra (para mim a sombra se tornara tão confortável).
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