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O Deus da Arte é muito diferente do Deus patriarcal. Ele só existe por amor à Deusa e se revela apenas através Dela. Só podemos cultuá-lo adequadamente quando mergulharmos na Deusa e nos despirmos do Deus do patriarcado. Ele é o Deus Cornífero, o macho na sua plenitude, o Deus fálico da fertilidade, o poder que fertiliza todas as coisas existentes na terra. Senhor dos Chifres, ele é força e poder, músculos e vitalidade, cheira a sexo e promessas. Ele é o Senhor das Coisas Selvagens, o Deus da Dança da Vida, O Falo Ereto Fertilizador, o parceiro da Senhora dos Grãos. Ele nasce da Deusa no auge do inverno, cresce na primavera e se apaixona por Ela. Fazem amor por todo o verão, engravidando a Deusa e a Terra. Após a colheita, no outono, o Deus Cornífero morre para renascer da Deusa no próximo inverno, reiniciando o ciclo da vida e das estações. O Relacionamento da Deusa e do Deus contém em si os próprios ciclos da natureza onde, no Verão o Amor do Casal Divino traz força e fertilidade à Terra e no inverno, enquanto ele aguarda o momento certo de renascer, nada cresce pois a vida repousa no ventre da Grande Mãe. Ele é o Deus dos animais e da caça, seus chifres representam virilidade, fertilidade, vitalidade, fartura e a ligação com as energias da Natureza. O livro “A Dança Cósmica das Feiticeiras”, de Starhawk, traz uma das melhores definições possíveis do Deus Cornífero e a sua relação com a Deusa:
Enquanto Ela é eterna e nunca morre, Ele é o ciclo do tempo, morre, renasce, cresce, fertiliza doando-se novamente, fertilizando os campos com sua própria vida! Costumamos cantar para Ele quando colhemos o trigo e preparamos o pão (ou outro alimento qualquer, mas o pão é tradicional!) porque Ele era a planta que consentiu em morrer para nos alimentar! E cantamos para que Ele possa renascer de suas sementes como a nova planta que nos alimentará novamente! Para Ela cantamos sempre, e sempre primeiro para Ela, porque somos parte Dela. Assim como Ele, somos suas sementes, fruto de Seu Útero Sagrado e morreremos e renasceremos segundo a Dádiva Dela, da Senhora de toda a vida-morte-vida! Ela é tudo que conhecemos, mas é ainda muito mais do que poderíamos conceber, pois Ela é o mistério, imanente e transcendente! Ser bruxa(o) é amá-la em tudo à nossa volta, é saber que vivemos num universo sagrado onde tudo é vivo, tudo é parte do corpo Dela, e portanto Nela somos um Só, fios de uma grande teia!
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