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Bruxaria hoje
Por Karina Lira

A Bruxaria tem suas raízes nos cultos à Deusa dos antigos buscando o resgate da imagem Dela em todo o Seu Poder e Integridade. A formatação da bruxaria, porém, é bem mais recente. Muitos bruxos afirmem pertencer a tradições que vem se mantendo ocultas e transmitidas oralmente dentro de suas famílias e chamam sua prática de bruxaria tradicional ou familiar.

Porém, entre os vários ramos da bruxaria, o mais conhecido é a Wicca, o ramo de bruxaria que mais cresce devido à possibilidade da auto-iniciação onde cada um é seu próprio sacerdote e responsável pela sua comunhão com a Divindade.

No início do século XX as leis que condenavam a magia e a bruxaria como crime começaram a ser derrubadas e bons livros começaram a ser escritos sobre o assunto.

Em 1921 Margaret Murray publicou o livro “The Witch Cult in Western Europe” no qual revelou que os cultos pagãos pré-cristãos ainda eram conhecidos e realizados em inúmeras partes da Europa. Nesta obra, mencionou que o culto a Cernunos e Ceridwen, os Deuses primordiais dos Celtas, tinha sido incorporado por inúmeros grupos neopagãos atuantes da época.

Em 1951 a última das leis inglesas contra a Bruxaria foi derrubada e Gerald Gardner publicou livros de grande importância para a volta da Bruxaria — Witchcraft Today (1954) e The Meaning of Witchcraft (1959). Afirmando ter sido iniciado em um Coven (família/grupo) de bruxas tradicionais Britânicas, Gardner criou seu próprio grupo, e deu a suas práticas o nome de Wicca. O termo Wicca vem do inglês arcaico wicce, significando girar, dobrar, moldar. A palavra reflete uma das melhores definições para a magia que é moldar a realidade segundo a vontade. Ou seja, magia é interagir com as forças naturais e recriar o nosso mundo alterando-o através de alterações da nossa própria consciência.

A Wicca faz parte de um movimento de resgate (e adaptação para os dias de hoje) das antigas religiões, o chamado Neopaganismo. Movimento esse que vem ganhando força junto com a participação da mulher no mercado de trabalho e o feminismo.

O neopaganismo é o termo que engloba as diversas formas de religiosidade que têm em comum o encontro com o divino através da natureza. São ressurgimentos das religiões pagãs adaptadas para os dias de hoje. Embora o termo pagão tenha sido usado de forma pejorativa na idade média para designar pessoas não batizadas, seu sentido original não é esse. Pagão vem da palavra em latim paganus que significa “do campo, ligado à natureza”. Uma Religião pagã é aquela que considera a Terra e toda a vida sobre ela como sendo sagradas.

O retorno da Deusa
A visão patriarcal da Deusa e seus atributos como sendo demoníacos, crime, pecado, está agonizante! Ao abrir uma revista, será mais fácil hoje encontrar um artigo sobre ecologia do que sobre o que é ou não “pecado”. Nós mulheres estamos ganhando espaço no mercado de trabalho, na política, no poder, enfim. Isso naturalmente afeta o imaginário. Já é comum se ver as mulheres buscando seu direito ao prazer, a relações satisfatórias e num grande avanço para a psique coletiva, começa a se falar do beneficio que é a mulher poder chefiar segundo seu estilo feminino, não ter que se comportar feito homem para crescer profissionalmente, mas ao contrario somar ao ambiente de trabalho as virtudes femininas. Isso é o Feminino sendo valorizado, saindo do armário!

Paralelo a isso estamos vendo a Deusa sair do armário. De diversas formas, tanto em expressão religiosa como em estudos sobre mitos, arquétipos e a importância de integrar todo um caminho de energia psíquica que representa para homens e mulheres ao menos metade das possibilidades que deveríamos ter. A Dominância do Feminino varia de indivíduo pra indivíduo e tende a ser maior entre as mulheres, por isso mesmo sendo identificadas como sacerdotisas naturais da Deusa. Contudo, a repressão a este arquétipo que necessariamente desempenha grande papel na psique será certamente danosa para todos!

A Arte nos traz o necessário reencontro com o Sagrado Feminino, cura feridas, resignifica identidades e restaura a inteireza da alma. Todo o meu trabalho desde aquela aula de história da arte aos dezoito anos tem sido para trazer à luz o Feminino, seus símbolos de poder, suas histórias, seu modo de ver o mundo e de curar. O resgate de alma é a síntese de doze anos de pesquisa com a Sabedoria do Sagrado Feminino nesta vida, bem como de memórias de vidas sem conta a Seu serviço.

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