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Projeto Muira Ubi
Por Karina Lira
O projeto Muira Ubi está inserido dentro da perspectiva da EcoTealogia e Envolvimento Sustentável.
Enquanto Sacerdotisa da Deusa e pesquisadora de Tealogia não concebo o Sacerdócio sem o cuidado com a grande Teia da Vida, sem propostas de reconstrução dos modelos de Envolvimento das pessoas e comunidades com o Sagrado em si, no outro e no ambiente.
Uma grande canção do paganismo diz: “Mãe, eu te sinto sob meus pés”! Ora se é sobre a minha Mãe que eu piso quando piso na Terra, pela ótica de qualquer concepção do sagrado, é minha obrigação honrá-la, cuidá-la.
Ela é minha Mãe e minha casa, casa em grego óikos, é de onde vem eco, dando origem a palavras como ecologia e economia. Estudar e entender nossa casa, arrumá-la, prover o sustento dela, são os conceitos dessas ciências. Prover o sustento, a sustentabilidade, assunto hoje tão corrente. Mas com envolvimento e não desenvolvimento. Citando o texto de chamada para XV Ciclo de estudos do Imaginário, disponível em: http://www.ufpe.br/imaginario/ciclo2008/br/tema-br.html
...diz Virgílio M. Viana em seu artigo “Envolvimento sustentável e conservação das florestas brasileiras” *, a respeito dos caiçaras: “Des-envolver para as populações tradicionais - não apenas a caiçara - significa perder o envolvimento econômico, cultural, social e ecológico com os ecossistemas e seus recursos naturais. Junto com o envolvimento, perde-se a dignidade e a perspectiva de construção da cidadania. Perde-se ainda o saber e com ele o conhecimento dos sistemas tradicionais de manejo que, ao contrário do que normalmente se pensa, podem conservar os ecossistemas naturais de forma mais efetiva do que os sistemas técnicos convencionais.
O processo de degradação ambiental se acelera com a expulsão - às vezes violenta - das populações tradicionais de suas terras. Obviamente essas conseqüências do desenvolvimento não são coerentes com a busca da sustentabilidade do nosso Planeta.
Segundo o dicionário Michaelis, desenvolver significa tirar o invólucro, descobrir o que estava encoberto; envolver significa meter-se num invólucro, comprometer-se. Dessa forma, poderíamos dizer que desenvolver uma pessoa ou comunidade significa retirá-la do seu invólucro ou contexto ambiental; descomprometê-la com o seu ambiente”.
Dentro dessa perspectiva o projeto Muira Ubi se propõe a realizar uma série de ações em forma de Teia, das quais deverá ser tecida a instituição MUIRA UBI.
As ações iniciais do projeto, para as quais já conta com a parceria do Instituto Brasil Verde, são:
- Identificar lideranças femininas e fomentar seu processo de envolvimento em suas comunidades e meio ambiente.
- Reforçar os laços de envolvimento através do trabalho arteterapêtico.
- Detectar junto às lideranças e suas comunidades quais as necessidades mais urgentes.
- Oferecer ferramentas para a própria comunidade buscar soluções criativas através de oficinas que se relacionem com os temas escolhidos.
- Fomentar grupos de produção sustentável para geração de renda e fortalecimento dos laços das comunidades e posteriormente redes que fortaleçam a produção, comercialização e troca de informações entre os grupos, criando laços entre diferentes grupos e comunidades.
Essas ações deverão priorizar grupos de mulheres, jovens e idosos, devido a constituírem subgrupos excluídos dentro de comunidades já excluídas. A proposta é de reforçar as identidades buscando reverter o modelo de des-envolvimento onde os indivíduos perdem força política de interferir em seu meio em prol do modelo de envolvimento onde identidade e auto-estima constroem união e trazem força.
O projeto Muira Ubi buscará parceiros com os quais levar aos grupos atendidos as ferramentas necessárias ao seu envolvimento.
Karina Lira
Idealizadora do Projeto Muira Ubi
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